Querer não é decidir parar de fumar

Prefere ouvir? Este artigo é a versão escrita do vídeo da Dra. Josiane no YouTube. O texto segue a mesma ordem do vídeo.
Você já quis muitas coisas na vida: um carro novo, uma casa na praia, ser milionário. Querer é fácil. Decidir é aquilo que você faz quando sabe que uma coisa precisa mudar, goste ou não. Parar de fumar precisa do segundo tipo.
Querer muito não é o mesmo que decidir
Estar numa live sobre cigarro numa sexta à noite não significa que você decidiu parar. Significa que você quer muito. E há diferença. Muitas coisas a gente quer da boca para fora; outras parecem inatingíveis, e se você não enxerga um caminho, não se compromete. O cigarro não é nenhuma das duas: não é inalcançável e você quer, de verdade, senão não estaria lendo isto.
Puxe pela memória as coisas que você realmente decidiu. Uma mãe que precisou desagradar um filho, tirar o carro, trocar de colégio, porque sabia que tinha que ser feito, e nada ia impedir. Largar um emprego que não valorizava, sem saber como pagar as contas, porque “isto eu tenho que fazer”. A decisão que vem com toda a força, que vai para cima do problema. É esse sentimento que a Dra. Josiane busca com os alunos antes de qualquer tratamento.
Em uma frase
“Eu vou tentar e ver no que dá” abre dois caminhos, o de conseguir e o de não conseguir. A decisão que funciona tem um único objetivo: alcançar o que você quer.
Por que isso vem antes de qualquer remédio
Se esse trabalho não é feito antes do tratamento, antes do adesivo, da bupropiona, da vareniclina, tudo o que vem depois perde força. Você não se engaja o suficiente e espera que o remédio resolva. O remédio faz muito bem o trabalho da dependência química, quando bem indicado. Mas não faz o trabalho da parte comportamental e da psicológica.
A Dra. Josiane conta que foi estudar determinação, comprometimento e tomada de decisão olhando para o outro lado da moeda: o que fez cada pessoa começar a fumar. Para quem viveu a juventude entre os anos 60 e 90, o marketing do cigarro foi brutal. Não existia uma cultura de fumar; ela foi implantada. Alguém sem formação médica conseguiu entrar na cabeça das pessoas a ponto de fazê-las experimentar algo que mata, que tem cheiro e gosto ruins, que faz tossir e não dá prazer no primeiro dia, e transformou isso num campeão de vendas. Não foi com argumento lógico. Foi com desejo e sentimento.

A decisão não é racional, e é por isso que a bronca não funciona
Quem toma as decisões brutais da vida, inclusive a de comprar algo numa Black Friday, é o cérebro irracional. A parte de fora, o neocórtex, entende gráfico, estatística, risco de câncer, de infarto, de enfisema. Você não é burro: entende tudo isso perfeitamente, bate a porta do consultório e vai fumar igual. Agora com o cigarro e com a culpa.
O miolo do cérebro, onde ficam as emoções, os instintos e os hábitos, não entende matemática, nem línguas, nem letras faladas ou escritas. O que ele ouve do médico, do cônjuge e dos filhos é “blá, blá, blá, pare de fumar”. O neocórtex entende, mas não transforma o que entendeu em emoção. E é a emoção que faz mudar.
Vender a ideia para você mesmo, todos os dias
A mesma técnica que vende o que a gente não precisa, e até o que nos mata, é a que você precisa usar a seu favor: vender a ideia de parar de fumar para o seu próprio cérebro. Pesado no começo, até ele comprar e se comprometer. E depois todos os dias, do mesmo jeito que uma marca conhecida no mundo inteiro continua fazendo propaganda todo ano. O seu motivo para parar precisa pegar no emocional, como uma boa propaganda faz.
Isso não exige uma tragédia. Não é preciso um infarto ou um diagnóstico de câncer para despertar esse tipo de decisão. É possível implantar a ideia de propósito, com método, e é isso que o programa trabalha antes de falar de medicação.
Perguntas frequentes
Se eu quero muito parar, isso já não é decidir?
Não. Querer abre a possibilidade; decidir fecha o caminho de voltar atrás. A decisão que funciona é a que tem um único objetivo, como as decisões viscerais que você já tomou em outras áreas da vida.
Por que as estatísticas de doenças não me fazem parar?
Porque elas entram pelo cérebro racional, que entende tudo, mas não decide. A decisão vem da parte emocional, que não processa números nem argumentos.
Preciso passar por algo grave para decidir de verdade?
Não. A decisão pode ser construída de propósito, trabalhando o motivo real no nível emocional, o que a Dra. Josiane chama de vender a ideia para o próprio cérebro, todos os dias.
O remédio não resolve?
Ele resolve a dependência química, quando bem indicado. A parte comportamental e a psicológica dependem da decisão e do método, por isso esse trabalho vem antes da medicação.
Quer transformar o querer em decisão, com método?
Na live gratuita de 30 de outubro, às 20h30, a Dra. Josiane apresenta o método completo e abre a Black Friday do Mentalidade de Não Fumante.
Entrar na lista de esperaConteúdo informativo, baseado no vídeo da Dra. Josiane Marchioro (CRM-PR 22008, RQE 231). Não substitui consulta médica. Se você usa medicação para parar de fumar, siga a orientação do seu médico.
Dra. Josiane Marchioro, pneumologista · CRM-PR 22008
